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Imprensa Brazilian Boat

Nautica Sul - Novembro/2008



A última palavra é a delas

Para Daniel Coelho, diretor do estaleiro Brazilian Boat, barcos são, também, um assunto de mulher.

O porto-alegrense Daniel Aramis Coelho descobriu o prazer de navegar quando tinha 12 anos. O barco era uma pequena lancha de 14 pés, com a qual, ao lado do pai, passeava pelo Rio Guíba. Hoje, aos 43, Daniel vive intensamente seu antigo hobby, pois além de navegar – sempre pela Lagoa dos Patos, em companhia da família – também transformou essa paixão em uma atividade lucrativa. Junto com um grupo de sócios, fundou, há pouco mais de seis anos, o estaleiro Brazilian Boat, garantindo um lugar no mercado. Agora parte para uma fase de expansão da marca.

A formação em administração de empresas permitiu-lhe contato com universos profissionais muito diferentes e oportunidades em situações e locais pouco comuns. Foi assim que o estaleiro, que fabrica lanchas entre 19 e 22 pés, acabou se instalando em Novo Hamburgo, uma cidade distante do mar e até mesmo do Guaíba. “Em Novo Hamburgo, estamos perto da capital e dos principais mercados do Rio Grande do Sul. Além disso, aproveitamos um programa de incentivos da prefeitura, que concede apoio às empresas que não são ligadas ao setor calçadista”, revela. Ao falar sobre o estaleiro, Daniel, sempre calmo e com voz baixa, não consegue disfarçar a paixão por essa atividade e pela imagem de qualidade e seriedade que quer dar à Brazilian Boat. “Nossos projetos são todos avaliados por um engenheiro naval, que atesta a segurança de todas as embarcações que deixam nosso pátio. Nada pode dar errado”, enfatiza.

Os interesses e a dedicação desse gaúcho, porém, estendem-se a outro campo. Além de dirigir um estaleiro, administra um centro de medicina na cidade de São Leopoldo e é diretor adjunto da Associação Brasileira de Medicina de Grupo – Abramge, no estado. Dorme quatro horas por noite, acorda às cinco da manhã e, apesar dessa pesada rotina, sempre encontra tempo para curtir a família. Aliás, navegar com a esposa e as filhas o fez pensar no desconforto que as mulheres passam em algumas lanchas, e isso o levou a, durante dois anos, circular pelas marinas do país ouvindo donos de barco e, principalmente, as suas companheiras, a quem perguntava: o que facilitaria a vida de quem embarca com o marido e os filhos? As respostas fizeram nascer, segundo Daniel, um jeito diferente de pensar a navegação de lazer, e o levaram a querer fabricar embarcações que se adaptem aos desejos de toda a família. Daniel e seus sócios se convenceram de que itens como banheiro fechado, mais compartimentos embutidos e mais espaço interno nas lanchas são detalhes que podem parecer pequenos, mas encantam as usuárias, cada vez mais presentes na escolha dos barcos. “Queremos que nossas lanchas sejam uma diversão para toda a família”, diz Daniel.

Atualmente, o carro-chefe da Brazilian Boat são as lanchas de 22 pés com proas aberta e fechada. Com um valor médio de R$ 60 mil. São as maiores embarcações fabricadas pelo estaleiro. Esse dado, no entanto, está prestes a mudar, com o lançamento da BB 290, uma lancha de 29 pés que é o mais audacioso projeto do estaleiro e custará cerca de R$ 230 mil. “Esperamos uma boa aceitação para esse novo produto, mas ainda não arriscamos previsões. O mercado, que está em constante mudança, dirá o alcance dessa embarcação”, avalia Daniel. As mudanças, porém, vão além e fazem parte de uma nova e agressiva política comercial. De acordo com o empresário, até o fim desse ano, a Brazilian Boat pretende aumentar de oito para 30 os seus revendedores credenciados em todo o país e uma série de mudanças acarretará uma reestruturação também na sede da empresa, em Novo Hamburgo, que deve contratar mais funcionários. “Mas, como sabemos, a mão-de-obra especializada em construção naval é escassa”, comenta Daniel. Também há obras de ampliação na planta do estaleiro, além da implantação do PGQP (Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade). Com tudo isso, a produção mensal, que atualmente é de seis a oito embarcações, saltará para 20, incluindo aí mais um modelo, com previsão de lançamento já no ano que vem. Será mais um passo importante para, além das mulheres, conquistar um novo mercado: o dos barcos de luxo.